Visão geral
O Advanced Aerospace Threat Identification Program (AATIP) foi criado em 2008 no âmbito do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) para examinar relatos de fenômenos aéreos não identificados (UAP) que pudessem ter implicações para a segurança nacional. Embora pouco se soubesse publicamente sobre o programa durante quase uma década, o AATIP ganhou reconhecimento internacional após reportagens do The New York Times em dezembro de 2017, que revelaram que o Pentágono vinha estudando encontros militares sem explicação envolvendo objetos não identificados.
O programa é amplamente considerado um grande ponto de virada na história moderna das investigações sobre UAP, pois representou o primeiro esforço do governo dos EUA reconhecido publicamente e voltado especificamente a relatos militares de UAP desde o encerramento do Project Blue Book em 1969.
Contexto
O AATIP surgiu após a criação do programa mais amplo Advanced Aerospace Weapon System Applications Program (AAWSAP) em 2007.
Enquanto o AAWSAP examinava uma ampla gama de tecnologias aeroespaciais avançadas, o AATIP evoluiu para um esforço mais focado, dedicado a avaliar relatos militares envolvendo fenômenos aéreos não identificados que poderiam representar:
- Tecnologia estrangeira avançada.
- Preocupações com a segurança da aviação.
- Possíveis ameaças à segurança nacional.
- Outros eventos aéreos sem explicação que exigissem análise adicional.
O programa operava no Escritório do Subsecretário de Defesa para Inteligência e envolvia a análise de relatórios militares, dados de sensores e avaliações técnicas.
Liderança e atividades
O programa passou a ser estreitamente associado a Luis Elizondo, um oficial de carreira da inteligência que afirmou ter gerenciado o AATIP durante parte de sua existência antes de deixar o Departamento de Defesa em 2017.
Segundo ex-participantes e declarações oficiais, o AATIP examinou:
- Relatos de pilotos militares.
- Dados de radar e sensores.
- Imagens infravermelhas.
- Avaliações de inteligência.
- Encontros envolvendo pessoal da Marinha e da Força Aérea dos EUA.
Entre os incidentes posteriormente associados ao AATIP estavam:
- O Encontro Tic Tac do USS Nimitz (2004).
- O GIMBAL vídeo.
- O GOFAST vídeo.
Esses casos tornaram-se centrais nas discussões posteriores do Congresso e do público sobre UAP.
Divulgação pública
Em 16 de dezembro de 2017, The New York Times publicou uma investigação que revelou a existência do AATIP e informou que o programa havia recebido aproximadamente US$ 22 milhões em financiamento ao longo de vários anos.
A reportagem também apresentou ao público três vídeos infravermelhos da Marinha dos EUA mostrando objetos aéreos não identificados:
- FLIR1 (Tic Tac).
- GIMBAL.
- GOFAST.
A publicação marcou um momento decisivo na conscientização pública sobre as investigações modernas do governo a respeito de UAP.
Nos anos seguintes, o Departamento de Defesa confirmou que os vídeos eram gravações autênticas feitas por aeronaves da Marinha dos EUA e depois os divulgou oficialmente em 2020, ao mesmo tempo em que ressaltou que os objetos mostrados permaneciam não identificados.
Debate
Após a divulgação pública, surgiram dúvidas sobre a relação exata entre AAWSAP e AATIP.
Pesquisas históricas posteriores mostraram que:
- O AAWSAP foi o programa original e mais amplo da Defense Intelligence Agency, criado em 2007.
- O AATIP tornou-se um esforço mais restrito, voltado a encontros militares com UAP.
- Alguns integrantes e atividades se sobrepunham entre os dois programas.
- Certos detalhes de sua estrutura organizacional continuam sendo objeto de análise histórica.
Embora haja interpretações diferentes sobre a evolução administrativa do programa, existe amplo consenso de que o AATIP desempenhou papel importante ao levar encontros militares com UAP à atenção de altos funcionários do governo.
Importância histórica
O AATIP mudou fundamentalmente a discussão pública sobre fenômenos aéreos não identificados.
Sua importância inclui:
- Renovando a atenção oficial do governo dos EUA aos UAP.
- Demonstrando que encontros militares continuaram a ser investigados décadas depois do Project Blue Book.
- Contribuindo para a divulgação pública de vídeos autenticados da Marinha dos EUA.
- Influenciando a criação de organizações posteriores, incluindo a UAP Task Force (UAPTF) e o All-domain Anomaly Resolution Office (AARO).
- Ajudando a estimular a retomada da supervisão do Congresso e de audiências públicas.
Hoje, o AATIP é reconhecido como um dos programas fundamentais que inauguraram a era moderna do envolvimento oficial do governo dos EUA com investigações sobre UAP.